quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Coisas que eu deveria jogar fora, mas não consigo...

Hoje parei pra pensar em tudo o que eu não preciso ter, mas tenho, guardado.
Pensei no Billy, meu ursinho de pelúcia. Pensei nas minhas camisetas de bandas. Pensei nos papéis de carta, que eu sei que nunca vou usar mas estão guardadas em uma caixa em cima do guarda roupas, o que me levou a lembrar do meu caderno do terceiro ano do ensino médio com todas aquelas figurinhas adesivas que ainda tenho guardado na mesma caixa há sete anos. Todas essas coisas são coisas que eu sequer lembro que existem em meu dia a dia, exceto o Billy que fica em cima da cama, mas algo me impede de deixa-las ir.
Sobre coisas que eu não deixo ir, nem todas são materiais, acho que, como a grande maioria, tenho sentimentos enraizados que deveriam ser dispersados, mas não são e eu não ando fazendo muita força para que eles voem se libertem e me liberte. Não é ódio, não é rancor, não é inveja, não são sentimentos considerados ruins. São sentimentos que já foram bons, me fizeram bem, mas quando deixaram de ser correspondidos, não sabiam como agir. Eu desaprendi a lidar com eles, e eles a como se comportar dentro de mim.
Pensei em tentar transferi-los para um dos meus papéis de carta e dar logo um fim a tudo isso. Mas lembrei que sentimentos não saem de você e aderem ao papel como tinta de caneta. 
Enquanto isso, deixo tudo guardado aqui, não vai virar item de colecionador mas enquanto eu finjo que não existem não me proporcionam dor.


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

78. A morte é...


...Algo que ainda não aprendi a lidar.
Quando criança vi acidentalmente duas pessoas mortas. A primeira foi meu vizinho Zuca, a minha mãe fez de tudo para impedir que eu visse aquela cena, eu simplesmente fiquei parada olhando o rosto sereno dele deitado no sofá. Eu não entendia o motivo pelo qual as pessoas estavam chorando por alguém que estava dormindo. Minha vó me disse que Zuca estava morto, entraria em uma caixa e não voltaria mais pra casa, não ia mais me ensinar a tocar violão. Eu não gostei do fato de alguém não voltar mais pra casa, mas... Poxa, tudo bem. Muita gente muda de casa. Perguntei a vovó o que vem depois da morte, e ela disse que era algo que ninguém sabia ao certo. Então, durante alguns dias, semanas talvez, eu fiquei esperando Zuca voltar, quando minha mãe percebeu que eu ficava olhando a casa dele pela janela, me pegou no colo e disse que ele não voltaria, e eu decidi, sem falar pra ela, que imaginaria que ele estava lá dentro da casa dele, dormindo.
No segundo caso foi um moço deitado no chão da nossa rua e eu pensei: “Outro moço que vai pra uma caixa, e não vai mais poder ver a família”. Mas eu já estava crescidinha, e minha mãe decidiu que precisava me explicar melhor. Ela pediu que eu começasse a respirar lentamente, como se perdesse o ar, e depois prendesse a respiração o tempo que eu aguentasse. O que não foi muito tempo. Quando comecei a respirar novamente ela me disse que era isso o que acontecia com as pessoas mortas, elas perdiam a capacidade de respirar, o coração parava, elas deixavam de existir no mundo e passam existir só pra quem as conheceu. Demorou até que eu absorvesse essa ideia. Continuei achando que alguém viria, e colocaria o moço em um lugar mais confortável pra que ele pudesse dormir em paz.
Anos mais tarde, aconteceu com alguém que prometeu que jamais me abandonaria. Esse alguém eu não vi. Quando esse alguém partiu, fazia seis meses que eu não a via. Não fui sequer ao velório. Nunca mais voltei a sua casa. Só pra poder ter a sensação de que ela vai estar lá na varanda me esperando, assim como foi da última vez, não importa quanto tempo eu demore pra voltar. E enquanto isso? Ela dormirá.




domingo, 27 de julho de 2014

Resenha: O Perfume

Ao pensar em um livro que vai descrever sensações, não dá pra imaginar a genialidade por trás de um título tão simples e direto. Então Süskind aparece e descreve de forma magistral cada situação, cada cheiro e nos leva a quase sentir o que Jean-Baptiste Grenouille está vivendo em cada momento.
A estória se passa na França século XVIII, e conta a vida de Grenouille desde o nascimento conturbado que levou a morte de sua mãe, até o amadurecimento completo de sua genialidade. Sim a mente de Jean-Baptiste é genial.
 Há a seguinte frase no livro: "O poder de convicção do aroma não pode ser descartado, entra dentro de nós como ar em nossos pulmões, nos ocupa completamente por dentro, não há antídoto contra ele" encaixa-se perfeitamente nessa viagem que Patrick Süskind nos guia através das palavras. As descrições dos aromas realmente tomam posse de nossas mentes como se estivéssemos sentindo-os.
Grenouille, uma pessoa completamente interiorizada, fria, sem compaixão que nunca recebera uma demonstração de afeto, nem demonstra sentir falta, ao descobrir sua vocação empenha-se a encontrar o seu perfume e está disposto a fazer o que for necessário para consegui-lo, mesmo que isso envolva tirar vidas inocentes. E consegue, de uma forma quase divina, afinal ele se considera seu próprio Deus.
O Perfume não é uma leitura cansativa, é envolvente e a cada página virada nos induz a querer mais e mais, as informações no decorrer da trama são devidamente dosadas, e a descrição da época em que se passa não deixa a desejar.

sábado, 26 de julho de 2014

Tema 3: O que você costumava fazer, porém agora não faz mais?


 Terça-feira.
 Terça-feira era o único dia que eu podia sair sozinha da escola, era o único dia que eu não tinha que ir direto pra casa. Se a Tia liberasse a turma mais cedo qualquer outro dia da semana, não fazia a menor diferença pra mim, mas se fosse terça-feira... Ah! Era muita alegria.
Às terças-feiras eram os dias mais felizes da minha infância. Era dia de feira, e se era dia de feira, era dia de passar a tarde toda com vovó, e no finzinho da tarde a bisa aparecia sempre com um docinho pra dar aquele toque especial a ‘Minha Terça-Feira’.
Na barraca da vovó tinha bastante coisa, vários tipos de temperos que só de chegar perto já me fazia espirrar, também tinha castanha, amendoim, camarão seco, e o meu cantinho preferido, o cantinho do café, com bolo e pudim.
Quando eu chegava à rua da feira, a primeira barraca era de dona Solimar que tinha uma irmã gêmea chamada Solange. Elas eram lindas, tinham longos cabelos cacheados e dourados como o sol e usavam óculos redondos de armação colorida. Eu fantasiava que elas moravam em uma daquelas casinhas de bosques que são cercadas por flores e com gnomos no jardim.

Também tinha a dona Xica, dona Lia, que era minha madrinha, e dona Esmeralda. Essas eram as barracas que eu passava antes de chegar à barraca da Vó Lena. E todas as terças-feiras eu falava com cada uma delas, exatamente nesta ordem. Até completar 10 anos e me mudar da minha cidadezinha. Foi quando todas as terças-feiras tornaram-se dias comuns. Sem a magia das gêmeas ‘Sol’,  a doçura da dona Xica, o dengo da madrinha Lia, os beliscões na bochecha que dona Esmeralda me dava com todo carinho e aquele sorriso lindo que a vovó abria ao me ver correndo para os seus braços.



segunda-feira, 21 de julho de 2014

Descreva sua aparência física na terceira pessoa

Quando a vi pela primeira vez, ela estava deitada na rede da varanda, e segurando um livro junto ao peito encarava o céu.
Os fios de pontas douradas do seu cabelo crespo brincava sobre seus olhos castanhos, mas ela não parecia se incomodar, continuava fitando o céu como se ele lhe dissesse algo, ou como se daquela forma pudesse arrancar respostas dele. 
Seus longos dedos finos entrelaçavam-se no livro, como se por um descuido ele pudesse fugir. Suas pernas, igualmente longas, pendiam preguiçosas e os pés balançavam lentamente, como se dançassem ao som de uma cantiga só deles.
A cor negra da sua pele ficava ainda mais brilhante diante da luminosidade do crepúsculo. E quando me preparava pra ir embora percebi que daqueles grossos lábios, escapara um triste e quase imperceptível sorriso.



|642 coisas sobre as quais escrever

sexta-feira, 18 de julho de 2014

642 Coisas sobre as quais escrever...

Voltamos \o/
 Estou participando do projeto 642 coisas sobre as quais escrever, da Bruna Morgan e postarei a lista completa pelo blog e na page automaticamente que estão paradíssimos mas retomarei as postagens imediatamente.
Beijas de luz <3

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A Velha e a Moça #2

- Ela é inteligente. Eles tem muita coisa em comum. Ela entende todas as piadas dele, está sempre tecendo algum comentário relevante sobre a situação da profissão dele na economia do país e do mundo. Ele gosta dos amigos dela, e os amigos dele vivem afirmando que belo par eles formam.
- E por isso você desistiu dele?
- Eu não diria que desisti. Deixei apenas o caminho livre, para que ele percebesse o que era melhor pra ele. Levar em casa a garotinha que seus pais se orgulhariam da companhia no jantar, ou eu.
- Você acha isso justo? Escolher por outra pessoa o que você julga ser  melhor? E nem me venha com "deixei-o escolher", você decidiu e simplesmente foi embora?
- Bem, justo com ele pode até não ter sido. Mas com meu coração foi.
- Convença-me...
- Percebi antes dele, o que estava por vir, logo, pude mudar o rumo da situação.
Assim um não se engana, e o outro não se machuca.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A velha e a moça

-Faz quanto tempo que ele se foi?
- Mais de 10 anos.
- Eu sei como é o vazio que deixam quando se vão, é como um furo em um vestido de seda, jamais será consertado. Eu já perdi pessoas muito importantes em minha vida, e o sentimento de vazio é eterno.
- Porque você é materialista. Ser humano é materialista. Nos importamos muito com sentidos superficiais. Queremos ver, pegar e nos importamos pouco em sentir. Não lamento por ele ter ido, ele cumpriu o papel dele na vida dele, e na minha, chegou a hora ele tinha mais era que ir mesmo. Quando chegar a minha hora não quero ninguém lamentando, é por isso que deixo sempre claro o que me agrada e o que me desagrada, para que minha passagem seja satisfatória pra mim, e para os outros.
- Eu nunca havia olhado desse ângulo.
- Eu não culpo você... Fomos criados para querer cada vez mais, não nos ensinaram-nos a deixar passar, não nos mostraram que é só passagem, fazem com que imaginamos que tudo o que temos é isso, e temos de nos agarrar ao "isso" seja lá o que ele for. Eu demorei 75 anos para aprender, agora eu posso te transmitir com a segurança de quem aceita que a mais clichês das frases é puramente verdadeira: "tudo na vida tem que passar".
- obrigada, e quando for, vá em paz.
- obrigada, e enquanto fica, preste a atenção ao que não cabe em fotografias.

domingo, 16 de junho de 2013

Diálogo #conto

- E se apaixonar?
- O que tem?
- Quantas vezes já aconteceu com você?
- Nenhuma.
- Se já não te conhecesse um pouco, ia duvidar... Só não entendo como você consegue controlar isso.
- Quando você esbarra com uma pessoa que tem algo em comum, você se permite apaixonar-se, ou gostar dela  mesmo que faça isso inconscientemente...
- Não você está errada! - Interrompeu ele - Ninguém pode controlar um sentimento que nasce por outra pessoa.
- Mas pode não alimentá-lo, e deixar que ele morra de inanição.
- Pra quê tanto medo?
Ela retirou um cigarro da bolsa, pegou seu isqueiro com formato de caveira e detalhes de pedras vermelhas, e disse: - Não é medo, é só egoísmo!
- Você quer ser pra sempre só sua?
- A única pessoa que pode me fazer mal, sou eu mesmo. Não vou dar esse gostinho a ninguém.
- Mas o amor faz bem.
- Só a quem sabe lidar com ele.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Outono

Hoje o dia está lindo.
Aquele ventinho gelado delicioso que outono traz, o dia calmo, o canto suave dos pássaros...
Durante todo o verão desejei isso mais que tudo, você sabe como eu amo um friozinho, tanto aquele de me faz colocar o casaco, quanto aquele que me dá quando você chega, aquele, na barriga.
Mas agora que estamos aqui, no clima tão desejado por mim, senti que faltava algo, senti que alguma coisa que eu queria muito não está aqui.
Aí lembrei, é o fato de poder passar todas as tardes do outono e do inverno, abraçada a ti, percebi que o que mais gostava no clima, no tempo, era aquela sensação que pairava sobre nós. O outono está aqui, lindo, marcante e apaixonante, mas falta você. Isso me fez perceber que apesar de ser minha estação preferida, passara levemente dolorosa dessa vez.


domingo, 24 de março de 2013

Não Se Deixe Enganar...


As frases mais clichês do mundo, o comportamento mais previsível, e aquela mente diminuta que acredita que todas as garotas são iguais. Ingênuo, pensa que eu não sei que ele só está se divertindo com o brinquedinho novo, é como um garotinho numa loja de brinquedos, escolhendo um carrinho novo, ele fica encantado passa dias brincando com o carrinho novo todo empolgado, enquanto o carrinho velho está na prateleira esperando incansavelmente  por ele, um dia o carrinho para de ser novidade, e ele volta para o outro q apesar de gasto tem a mesma função. Eu sei, você pode achar estranho minha forma tão clara de falar sobre ser a segunda opção em sua vida, mas eu tenho pleno entendimento sobre o que represento pra você, então, não gaste sua saliva, não desperdice seu charme, não lance pra mim palavras repetitivas, minha boneca também está gasta e hoje, eu só estou à procura de um brinquedo novo.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Triste Realidade


É engraçado..
ou não, depende do angulo em que se vê..
Do meu angulo na verdade é bem lamentável. A lua está aqui, mas especificamente invadindo minha  janela, o vento que sopra é frio e suave, gostoso e amedrontador...
Quando olhei despretensiosamente pela janela assim que sentei-me à cama, me invadiram várias lembranças, lembrei da época de criança e das histórias que minha prima mais velha nos contava, lembrei de minha vó que falava sobre um moço e um dragão que residiam lá dentro, lembrei dos casais que eu observava na praça em frente a minha casa, que pareciam entorpecidos pela beleza inebriante que o luar lhes concedia, lembrei você, o que automaticamente me fez lembrar que olhando pra'quela lua linda no céu e sentindo o vento gelado que entrava sem pedir licença, ninguém estava pensando mim, porque a pessoa que a lua me fez lembrar, estava contemplando o mesmo luar a poucos quilômetros, acompanhado de um alguém que não era eu, fazendo planos que não me incluía, relembrando um passado que eu não fizera parte.
Pelo menos a garrafa ainda está cheia.


domingo, 17 de fevereiro de 2013

Novela

Ah! você...
Quando você chega sussurrando em meu ouvido, me abraça por trás e me beija a nunca...
Chego esquecer que nós não nos pertencemos, que isso não poderia estar acontecendo, que você pediu para que eu não me envolvesse.
Que depois você volta para os braços dela, e eu? Eu fico aqui.
Com as lembranças, teu cheiro entranhado em meu corpo, seu cigarro ainda aceso, a garrafa de vodca quase na metade.
É quando os pensamentos começam a castigar-me.
Ah! Eu...
Me entreguei sem retorno mais uma vez.
Talvez se eu tivesse escutado Chico direitinho, e mirado-me no exemplo das Mulheres de Atenas. Seria eu quem te teria nos braços quando tu se desvencilhasses das falenas.
Mas talvez esse seja o tipo de coisa que não é pra mim.
Talvez eu não seja o tipo de mulher que se entrega inteiramente a outro ser, deixando de lado meus gostos e minhas vontades, meus defeitos e qualidades, não, definitivamente essa não sou eu.

Ás vezes, tudo o que eu queria era acordar e ter alguém aqui, isso já seria suficiente.
Mas dizem que solidão é carma, então com licença, vou continuar minha jornada.



sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Porque você?

 - Porque eu?
Você me pergunta.
- Porque eu? O que você viu em mim? Eu não tenho nada pra te oferecer!
E fica me encarando com aquele olhar de quem está tentando arrancar respostas convincentes.
Ah! O seu olhar...
Você diz que tenho um 'olhar desconcentrador', porque você nunca reparou no seu.
Droga vagueei novamente.
- Você sempre arruma um jeito de fugir das respostas...
Você vive me dizendo isso, e até que é verdade. Eu me esquivo de dar certas respostas, mas não é por medo de reprovação, ou por insegurança das minhas convicções, é que 'na minha humilde opinião' tem respostas que não precisam ser dadas, eu falo com o olhar. Você esqueceu?
Mas tudo bem, vamos levar em consideração que vocês meninos não são muito bons com percepções, correto? Odeio generalizações mas... Enfim, estou disposta a falar.
Eu não acordei naquele dia disposta a encontrar alguém pra fazer parte da minha limitada e conturbada caminha terrestre.
Eu não fiquei examinando cada pessoa que passou por mim no ônibus, no metrô, no trajeto que faço do metrô até o trabalho tentando descobrir qual delas tinha o potencial aceso pra aturar meus caprichos .
Não fui decretada aquele bar a encontrar 'O Amor da Minha Vida', afinal você sabe o que eu penso sobre o amor e a vida.
Eu não preciso que ninguém me ofereça nada.
Não preciso que me ajudem com minha carga.
Não preciso que sequem minhas lágrimas.
Muito menos que impeçam que elas caiam.
Mas você tem tudo o que eu preciso. Ou nada que eu precise, mas quero.
Quando entrei naquele bar, e você sorriu pra mim eu pensei: "Que merda, outro iludido achando que vai se dar bem".
Mas algo me fez retribuir o sorriso.
Quando você se aproximou eu pensei: " Lá se foi meu momento de paz".
Mas você fez com que eu percebesse que foi um boa ideia.
E até hoje eu sinto que foi. Eu sei que amanhã podemos acordar de saco cheio um do outro, pegar nossas coisas sumir e nunca mais voltar a nos ver, mas sabemos que foi ótimo o que aconteceu.
E você pensa como eu.
Não me venha com essa de "não tenho nada pra te oferecer", eu nunca te ofereci nada mas você permanece aqui.
Tocando minha música preferida quando chego irritada, e parece que você advinha.


Nossa, você não sabe quanto é perfeita pra mim essa cena: Você sentado, o cabelo caindo no rosto, aquela camiseta branca, a calça surrada, a forma como segura o violão, a forma como levanta lentamente os olhos na minha direção sem errar um acorde olhando-me profundamente enquanto canta: " I love the way you love, but I  hate the way I'm supposed to love you back", a cara que você faz quando eu pergunto se é uma mensagem subliminar, a forma como põe o violão de lado e avança na minha direção, me enlaçando em seus braços, o cheiro no pescoço que você sabe que eu amo, e você vai seguindo a linha do pescoço até meus lábios, me fazendo arrepiar com sua barba cerrada, adoro o cheiro que fica em você depois do cigarro, adoro seu cheiro sempre a qualquer momento, seu beijo. Isso é algo que me recuso a explicar, você não ia entender. Seus lábios suavemente me fazem entender onde você quer chegar, e chegamos sempre, sutilmente de uma forma que só você sabe me guiar.
 É isso o que eu quero. É isso o que eu preciso, sensações que jamais experimentei com nenhum outro, você me conduz a cada uma delas com maestria.
É isso o que eu quero. Que o universo demonstre pra nós que fomas felizes em nossa escolha, e que mesmo não tendo nada, nós temos a nós de uma forma só nossa.
Não é pra sempre, mas é real.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

P.S.

 Alguém disse uma certa vez que 'querer saber o verdadeiro sentido de tudo oque acontece na vida, é querer saber demais', então não vou tentar te explicar nada, vou apenas fazer algumas observações.
 Já parou pra pensar em como as coisas às vezes acontecem de um jeito que parece proposital? É como se fosse o sapato perfeito, para o pá certo no momento necessário... ok vamos deixar os clichês de lado...rs
 O que quero te dizer é não sei se consigo te explicar como você me faz imensamente bem. Como sua presença, mesmo nos momentos que não estamos juntos, me alegra, me dá leveza e me faz acordar a cada dia mais feliz. E sabe o que aumenta a minha satisfação? É perceber que esse sentimento, essa energia boa é mútua, É como se fizessemos parte de algo que deveria acontecer sabe?
 Tudo bem, pode parecer um pouco confuso, mas.... você lembra o que eu disse sobre explicar logo no início né?
  Olha, nós não podemos dizer nada ao amanhã mas, torço para que esse repouso de carinho dure muito mais do que imaginamos.


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

#devaneios

 Ela só  queria um amor...
Normalmente, ela seria atendida pelas forças ocultas do universo, que lhe trariam um alguém para amar.
 Ok. Pode parecer mecânico/bizarro dito dessa forma, mas é mais ou menos assim.
 Mas as coisas não acontecem como devem ser, ou talvez sim mas acontece tão estranhamente que fica difícil entender se é pra ser ou não.
Particularmente não creio em 'é pra ser', vejo tudo apenas como consequência, você sabe, é como plantar e colher, correr sem preparo físico e se machucar, enfim se você faz tudo direito/certo/bonitinho, seja lá o que direito/certo/bonitinho signifique pra você, você vai sofrer as consequências disso, são suas escolhas...
Sim é isso, um ligação. Tudo tem uma ligação, as coisas vão acontecendo conjuntamente com o que  você fez anteriormente. Tudo é resposta a sua premissa.
É só você aceitar os fatos daqui pra frente...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Simplesmente amor...

Alguém que ainda acredita no amor.
Não no amor de filme, novela e afins, mas no amor sem interesse, um amor puro, amor livre e sem acanhamentos, um amor que não se limite a um grupo de amigos, à família ou à alguém que demonstrou algum sentimento/interesse por ela, ela acredita no amor infinito,de ser para ser, mesmo que não seja humano, mas um amor que transborde, alague, afague e faça com que os 'amados' sintam vontade de levar adiante.



Amor pelo vizinho;
Amor pelo cachorro;
Amor pelas plantas;
Amor pela vida;
Amor por alguém que você nunca viu na vida, mas está tentando passar por essa jornada também;
Amor por tudo que faz com que sigamos em frente; "Afinal somos todos um, gostando ou não" é o que ela sempre diz.

"Qualquer maneira de amor vale a pena. Qualquer maneira de amor vale amar".*

E assim ela semeava a semente do bem, e seu maior prazer era vê-la germinar, arrancar um sorriso, dar um abraço, fazer com que alguém descobrisse o quão importante ele era simplesmente por estar aqui, na Terra, fazendo parte dessa deliciosa e surpreendente loucura que chamamos de VIDA!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

#Trechos

"Ondulações no lago do vácuo era o que eu deveria ter dito. O fundo do mundo é de ouro, mas o mundo está de cabeça para baixo."
                                 (On The Road)

domingo, 30 de dezembro de 2012

Quando Acontece o Inverso...

Seus planos eram outros.
Se formar na faculdade, comprar um carro, conhecer seu país mais à fundo, conhecer as culturas, os povos, os lugares, entender o que mantém cada ser que a cercava de pé... Tornar-se uma boa escritora, aprender 6 novos idiomas em um ano, conhecer as bibliotecas mais famosas do mundo, tomar um café em cada canto do mundo, descansar em Paris. Cercada de livros, conhecimento, dois cachorros, um gato e muitas lembranças.

Mas ela só tinha 22, esquecera que não podia escrever seu destino, esquecera que ao amanhã não podia dar ordens. Quando lhe indagavam sobre isso, limitava-se a dizer: "Acredito no acaso, meu bem, mas posso manipular levemente meu futuro."
Cheia de sonhos e com vontade e disposição de sobra, ela levava a vida como uma descobridora experiente, não se iludia facilmente com o que encontrava no caminho, sabia apreciar o mundo, as pessoas, as cores com leveza e moderação, achava que tinha tudo sobre controle, até que ele apareceu...



Ela não acreditava em amor à primeira vista, talvez nunca sequer parou pra pensar em amor, mas sabia que algo muito intenso aconteceu quando (na mais clichês das frases) seus olhos encontraram os dele.
Ambos com muitas ideias e sonhos, vontade e todo vigor que a idade os permitia. O encanto era aparentemente mútuo, mas o 'balanço' fez muito mais efeito nela.

Saíram, beberam, conversaram... Por acaso, trabalhavam no mesmo lugar, o que fazia com que se vissem  todos os dias. A admiração crescia, mas as diferenças apareciam gradualmente, os planos eram outros, as ideias eram diferentes, mas ela tinha em mente que ninguém era perfeito pra ninguém.

Ela queria conhecer o mundo, pois acreditava que cada ser humano pode ser interiormente maior, espiritualmente elevado se descobrissem o quão ligados são uns aos outros, o que levaria quem descobrisse esse segredo interior ao BEAT*.
Ele queria conhecer o mundo, pois sabia que em cada lugar que chegasse mais mulheres viriam, e isso o faria um homem de sorte.
A decepção era garantida, mas 'não existem pares perfeitos'.
(Continua...)

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Amantes

Ela - O seu olhar...
Ele - O que tem?
Ela - Me desconcerta.
Ele - (risos)... Veja, -ele pegou a mão dela levou ao peito- Está sentindo?
Ela não respondeu...
- Está sentindo não está? É isso o que você faz comigo todas as vezes que se aproxima.
Ela puxou a mão e afastou-se, atônita,  pegou a xícara de café e acabou derrubando, parou por um tempo assustada com o barulho, quando se virou para limpar, ele já estava a sua direita com um pano agachando-se ...
Ele -  como você é desatenta, está sempre bagunçando algo...
Ela -  Não exagere! Só perdi o equilíbrio e por isso caiu, o que ando bagunçando?
Ele - Os papéis próximo a máquina, os livros da biblioteca... a... a cozinha... minha mente...
 Olhar fixo e silencioso afastaram-se.